Telefones: (11) 2729-3007

(11) 2729-3008




ESPONDILÓLISE e ESPONDILOLISTESE


Imprimir

Publicação: 05/02/2011


 Descrição
 
            Espondilólise é um termo descritivo que se refere a um defeito na pars interarticularis da vértebra. O defeito pode ser uni ou bilateral, e pode estar associado à espondilolistese. Espondilolistese refere-se ao deslocamento anterior (translação) de uma vértebra, com relação à vértebra situada caudalmente. Essa translação também pode ser acompanhada por uma deformidade angular (cifose). Esses dois tópicos são considerados em conjunto, porque a causa mais comum de espondilolistese é a espondilólise (32).
            A espondilólise ocorre mais comumente no nível L5-S1, e menos freqüentemente na região de L4-L5 ou em numerosos níveis. As lesões espondilolíticas são encontradas em cerca de 5% da população geral. Espondilólise é um distúrbio adquirido, não foi descrita em bebês, e raramente estará presente antes dos 5 anos de idade. Há um aumento da incidência de espondilólise e espondilolistese até os 20 anos de idade e depois a incidência permanece estável.
            Supõe-se que a espondilólise seja um distúrbio adquirido secundariamente a uma fratura por fadiga na pars interarticularis. Estudos experimentais demonstraram que movimentos de extensão da coluna vertebral, particularmente em combinação com uma flexão lateral, aumentam o estresse de cisalhamento na pars interarticularis. A evidência clínica para essa teoria é a elevada associação (quatro vezes mais que o normal) em ginastas do sexo feminino, atacantes de futebol americano e soldados carregando mochilas. Essa teoria etiológica também é apoiada pelo relato de maior associação em pacientes com cifose de Scheuermann, com lordose lombar secundária excessiva. Em contraste a espondilólise nunca foi observada em paciente que nunca andaram (32)
            Há evidência apoiando o conceito de que a espondilólise e a espondilolistese podem ser afecções hereditária. Existe elevada associação dessas afecções em membros da família dos pacientes afetados. Quase todos os pacientes com espondilolistese do grau 1 têm anormalidades na junção lombossacral, em que ocorre um desenvolvimento deficiente do aspecto superior do sacro e facetas sacrais superiores e associação com espinha bífida. Assim, essas afecções podem ser genéticas e/ou adquiridas.
            As queixas de apresentação dos pacientes com espondilólise e espondilolistese são determinadas principalmente pela idade e, nos casos de espondilolistese, pelo tipo. A dor é a queixa de apresentação mais comum no adulto. As crianças se apresentam com anormalidades da marcha, deformidade postural e contratura no grupo muscular dos isquiotibiais. Habitualmente a dor nas costas se localiza na parte baixa, com ocasional radiação para as nádegas e coxas. Pode estar presentes radiculopatias em L5.
            O paciente adulto com espondilolistese degenerativa geralmente tem mais de 40 anos de idade e as mulheres são mais comumente afetadas do que os homens. Freqüentemente a dor em casos de espondilolistese degenerativa é similar aos padrões de dor em pacientes com núcleo pulposo herniado (dor que se irradia pela perna). Os pacientes podem se queixar de uma dar semelhante a da estenose espinhal, tendo sintomas do tipo de claudicação (dor e cãibras nas panturrilhas e costas, causadas ao andar e aliviadas na posição sentada numa postura espinhal flexionada). Na maioria dos casos de espondilólise, a dor é precipitada pela atividade, especialmente flexão e extensão repetidas, e aliviada pelo repouso ou pela redução dos níveis de atividade.
            Cada paciente deve passar por um exame físico completo, inclusive exame neurológico detalhado. A tensão no grupo dos isquiotibiais é responsável pelas anormalidades posturais freqüentemente observadas como queixa de apresentação dos pacientes com espondilolistese. Uma restrição de flexão secundária a tensão no grupo dos isquiotibiais e inclinação pélvica dão ao paciente uma deambulação com a perna “dura”, com uma passada curta.
            Os achados físicos referíveis às costas dependem do tipo e grau do deslizamento. Os pacientes podem se apresentar com leve dor a palpação na área da espondilólise ou da espondilolistese. Em maiores graus de deslizamento, pode ser palpado um desnível. Pode haver um aumento aparente na lordose lombar, com inclinação da pelve para trás. O paciente pode se apresentar com protrusão da parte baixa do abdome e nos casos graves de espondilolistese, pode ser observada uma prega abdominal transversal profunda. Em todos os segurados deve ser efetuado um exame neurológico detalhado, que inclua os reflexos tendinosos profundos, exame sensitivo, e força motora. Deve ser dada especial atenção a qualquer disestesia nas proximidades do sacro e reto. Uma história de disfunção intestinal ou vesical pode ser indício de uma síndrome da cauda eqüina.
            Espondilolistese em pacientes com espondilólise ístmica pode ocorrer em qualquer época depois de fratura da pars interarticularis. A maioria dos deslizamentos ocorre durante o surto de crescimento na adolescência.
            Raramente ocorrem aumentos significativos no grau de espondilolistese observados depois da maturidade esquelética.
            A espondilolistese é graduada numa escala de 1 a 4, dependendo da percentagem de tranaslação anterior de L5 com relação a S1:
 
•                      Grau 1 – deslizamento de 25%,
•                      Grau 2 – deslizamento de 50%,
•                      Grau 3 – deslizamento de 75% e
•                      Grau 4 – deslizamento completo.
 
            O termo espondiloptose é utilizado para descrever o deslocamento completo de L5 à frente de S1.
            Em pacientes assintomáticos com espondilolistese com grau 1, não há necessidade de tratamento. A história natural indica que a probabilidade de ocorrer problemas futuros é essencialmente a mesma que a da população geral.
            No grau 2 em diante, há um aumento na probabilidade do paciente apresentar sintomas na parte baixa das costas, em comparação com a população geral.
            Baixa idade, sexo feminino, sintomas recorrentes, estresse no grupo muscular dos isquiotibiais (se associado a anormalidades da deambulação, ou deformidade postural) são fatores associados à futura ocorrência de dor.
            No adulto que esta em tratamento para espondilolistese do grau 1 ou 2, devem ser descartados outros distúrbios associados (p.ex., núcleo pulposo herniado, degeneração discal e a compreensão nervosa). Em geral a sintomatologia fica confinada à dor nas costas.
 
 
 
 
CONDUTA MÉDICO-PERICIAL NA ESPONDILÓLISE E ESPONDILOLISTESE
 
 
Prognóstico: Favorável do ponto de vista laborativo em graus 1 e 2. Reservado em casos de evolução desfavorável. 
 
           
 
            DATA PARA CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO (DCB): (graus 3 e 4). Em geral, longo quando há associação com os fatores de risco acima descritos ou para recuperação pós-operatória.
 
            REABILITAÇÃO PROFISSIONAL: Em casos sintomáticos (graus 3 e 4 ). Associar a atividade laborativa e afastar o segurado de postos de trabalho que exijam sobrecarga da coluna.
 
            REVISÃO EM DOIS ANOS (R2): Em situações de complicação pós-operatória, avaliar caso a caso.
 
            LIMITE INDEFINIDO (LI): Casos inelegíveis para REABILITAÇÃO PROFISSIONAL.
 
            BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (LOAS): Em geral não se aplica. Exceção aos casos de grau 4 com mielopatia e em casos graves, irreversíveis, sem a possibilidade do requerente prover seu próprio sustento.
 
 
 
 
 
Fonte: Diretrizes de apoio à decisão médico-pericial em ortopedia e traumatologia.
Ministério da Previdência Social (Instituto Nacional do Seguro Social)



Arquivo



voltar topo